Exodus – Tempo Of The Damned (2004)

Imaginem a seguinte situação: a sua banda foi uma das maiores do thrash metal durante a época de ouro do estilo, superando até mesmo o Metallica em termos de popularidade, influenciou várias outras grandes bandas que surgiram depois e ainda ajudaram a forjar um dos estilos mais consagrados perante os fãs e a crítica.

Só que em meio a essa carreira meteórica, os problemas começaram a surgir quase que exponencialmente. Briga entre integrantes que resultaram em separações traumáticas para todas as partes, problemas com a gravadora e a perda surpreendente de seu icônico vocalista que estava tentando retomar o trabalho com o grupo.

A morte do amigo e companheiro de banda fez os músicos renascentes buscarem tratamento e em seguida reformular a banda. Quando já estavam livres das drogas, os músicos se reuniram e decidiram retomar as atividades. Novo material foi composto, gravado e um novo CD estava prestes a ser lançado. Só faltava uma peça do quebra-cabeça: a data de lançamento. Mas o grupo chegou a um consenso rápido de que o disco deveria ser lançado no dia 2 de fevereiro de 2004, exatamente dois anos após a morte de Paul Baloff. A intenção era homenagear e manter vivo o legado de Baloff.
Tempo of the Damned é um dos melhores trabalhos da carreira do grupo californiano.

Logo de cara o ouvinte se depara com o riff excelente de “Scar Spangled Banner”, música que faz clara alusão ao hino americano e de forte cunho político. Aliás, cunho político é uma das tônicas do álbum. A época do lançamento de Tempo of the Damned, a sociedade americana ainda se via as com os desdobramentos dos atentados terroristas de 11 de setembro e as consequentes guerras no Afeganistão e no Iraque. A pancadaria segue com “War Is My Shepard”, a primeira e única música do álbum a ganhar um vídeo clipe e com “Blacklist”, cuja letra um tanto quanto infantil nos remete as brigas dos tempos de 5ª série.

Muitos fãs acusam Tempo of the Damned de ser um disco inconstante. Isso acontece porque as três primeiras músicas são tão boas que a maioria das pessoas acabam não dando a devida atenção ao resto do disco, o que é um engano. Por exemplo, ninguém nunca irá me ver criticando um trabalho que tenha músicas como “Shroud Of Urine”, “Foward March” e “Sealed With A Fist”. E como se não bastasse, a última música do álbum é uma releitura sensacional do clássico “Dirty Deeds Done Dirt Cheap” do AC/DC. O excelente trabalho dos guitarristas Gary Holt e Rick Hunolt e a interpretação magistral do vocalista Steve “Zetro” Souza fizeram jus a um dos maiores clássicos da era de Bon Scott à frente da banda australiana.

O fim de uma era

Ser por um lado Tempo of the Damned marcou o ressurgimento do Exodus, por outro foi o fim da linha para uma das melhores formações que a banda teve. O vocalista Steve Souza resolveu abandonar o barco pouco antes da turnê Sul Americana do grupo que teria inicio em setembro de 2004 alegando problemas pessoais. Após a turnê, o guitarrista Rick Hunolt e o baterista Tom Hunting também deixaram o grupo, este último motivado por um problema no coração.

Formação que gravou Tempo of The Damned:

Steve “Zetro” Souza – Vocal
Gary Holt – Guitarra
Rick Hunolt – Guitarra
Jack Gibson – Baixo
Tom Hunting – Bateria

Tracklist de Tempo of the Damned

01. Scar Spangled Banner
02. War Is My Sheppard
03. Blacklist
04. Shroud Of Urine
05. Forward March
06. Culling The Herd
07. Sealed With A Fist
08. Throwing Down
09. Impaler
10. Tempo Of The Damned
11. Dirty Deeds Done Dirt Cheap

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *